Nós, os hábitos e Nós – segundo costume




ISTO NÃO É UM TREINAMENTO.



NESTA TEMPESTADE DE POEIRA E DÓ
QUE É QUE SE HÁ DE JAZER?
FARDAMO-NOS A NÓS
SOLDADINHAS DE FICAR ASSIM, SOLDADAS, DE SER SOLDA, DE COLAR A FERRO, COLAR A FOGO.
TRAVAMO-NOS BATALHAS E
CADA BARRICADA DE NÓS,
NUM TEMPO SÓ E CAMUFLADO, EVITA DOS BEIJOS DOS JUDAS.
AMBAS NOSSAS FARDAS TOCAM DAS MEDALHAS
OS SINOS NAS COLEIRAS DOS CAVALINHOS MARCIAS
QUE ALONGAN-SE ÀS COSTAS,
NOSSAS, AS DO PLANETA.
E NESTA TEMPESTADE DE GENTES,
DE POEIRA E JÓS E BUCÓLICOS COTURNOS,
QUE É QUE SE HÁ DE JAZER?
FARDAMO-NOS A NÓS, COMEMO-NOS PELOS FLANCOS,
E, CONTINUAMENTE,
RECONSTRUÍMOS ESTE TEMPO:
  TUDO UM COMANDO AO MEU AMOR: NÓS:
  NOSSA GERRA DE BRAÇOS NUM MAR DE PELE EM TERRAS DE PAZ.


Nós, os hábitos e Nós – primeiro costume




NESTA HORA
QUE É QUE SE HÁ DE FAZER?
SENTAMO-NOS A NÓS E NOSSOS
VESTIDINHOS DE FICAR ASSIM, ASSADAS, DE SER CASA, ESTAR.
OLHAMO-NOS E
CADA UMA DE NÓS
A UM TEMPO SÓ E DELGADO
CAI AOS TACOS
OLHANDO-NOS AS FIGURAS E NÓS
NÓS A ELAS
INDA OLHAMO-NOS E
AOS PRANTOS
SACOLEJANTES
COMO QUE CAÍDAS NO VAGÃO DESSE TREM QUE PARTE
SOMOS
CORAÇÕES
BATEMO-NOS OS LÁBIOS
UMA DA OUTRA
SOMOS
NÓS
NOSSA ÚNICA BABA
FAZ-NOS GARGALHAR
RIMOS ATÉ CHORAR E
COLOCAMO-NOS A NÓS
INDA NAS
POSIÇÕES ORIGINAIS
E
E O QUE É QUE SE HÁ DE FAZER É
PENTEARMOS, DESATARMO-NOS A NÓS
OS NÓS DAS NOSSAS CABELEIRAS, COM MUITA SEVERIDADE E DISCIPLINA, POIS QUE ADORAMOS SER A CASA E OS VESTIDINHOS, TUDO ARRUMADINHO, ESTAR.
ESTAR E HÁBITOS E TACOS E BABA E NÓS.


QUATRO NÓS SONHAMOS E SONHADOS. UNS, DO CONCRETO, ABSURDADOS.)8(




um sonho bom:
através do início da coisa-faca
mete-se ao lado de outra
entre os conteúdos da laminada memória: queijo.
inda inutilizando o trem da associação: queijo e o seguinte:
passe rapidamente de um furo para o outro
enalteça o digno exemplo do leite que se deixa quarar, abre-se a abrir mão do branco, deita-se no amarelo indefinido, arreganha-se ao mundo CimoDaMesa ao teu profundo ReptoDeSaída, teu rabo dito a cu.
vês? através do início da coisa-faca
meter-se ao lado de outra: entre.
daí os nós, minha filha, e a ponta dum tudo quanto é coisa-faca.


sonhas
o sangue dos poentes e nós
como bestas descrentes das estrelas que a noite finca à carne
a terra inteira, a vertigem à ela
então ajuíza-te dum lugar já iniciado das pernas
asfixia-te das escadas, depois sobre das águas nas letras bêbadas
e como é quente a noite dormida
ninja que és
num vazamento de sol
pela aresta deste ou daquele olho samurai
tão clara a goteira a repetir tua mais horrenda pupila:
em tudo o que há, a tudo o que és
inda voltas a ser a que sonha
és ainda
a que sonha
a que sangra meus poentes, sonhas, sondas.



e que orgulho sonhar os dedos que não alcançam
a boca cheia de marimbondos, cheia de dedos pra pedir socorro.


sonhamos nós
ao nosso próprio velório
já que estamos sempre a morrer
já que aos nós, uma da outra, brotamo-nos a renascer
moles
nós, acordados nós, velados a ser
travesseiro, coelhinhos, sono, velório dos olhos, cortejo dessas horas, tu sabes, dessas a orar e a reproduzir por nós e por esse sono de morrer de rir.



Nós medicinais)DécimasQuartasPrescriçõesCaseiras.para sanar uns pecados sagrando uns,sangrando outros.( COLHERADA 1




#P/ A REDENÇÃO LUXURIOSA AOS NÓS#
não dê nome ao pecado distante
enrosca-te dos outros, inerentes
ou faça-te assim
chama-te gula preguiçosa
chama-te luxuria rompente
chama-te mesmo A Pecadora do Sim
que a travanca há de ser sempre o sobrenome
ou que somos todos o mesmo pecado e que cada pecado é um só, este: tua boca violentada a carmim.


#P/ CRER NA EFICÁCIA DA PREGUIÇA#
creio na proeza do amor preguiçoso
no melaço da morte à dois
creio que por crer preguiçosamente
na eternidade do momento
outro eterno se fará
inda levo-nos, ódio, amor, a crer no insistente do mundo largo
preguiçoso, estupefato, adoçado a mole
mole-mole-mole
correndo a rio pastoso
tal qual seja sempre
nosso largo, estatelado orgulho em ter da preguiça uns montes, amor, amor, ai meu tanto amor, que ódio, que preguiça, que paúra mais feliz, creio eu.


#P/ QUE A SOBERBA SEJA EM NÓS#
não amansarei da ira em tuas ausências
e encontrar qualquer monstro brutal que não
como a brutalidade do meu amor que bem
faria-nos escapar das orelhas numas razões
de animal sem animal
ao todo que
bem, penso que no fim,
bem ao fim, ao topo do fim
devo grunhir feito mineral, enfeitando teu dedo mais habitual.


#P/ NÃO CORRER DO FENO#
dirá Belzebu, deus da Gula
dirá
sobre a dita letra tua
inda outra, igualmente tua
porém, bem mais porém
não a mesma
cápsula do tempo
outra
desse palato de nós
tal comboio esbaforido
sobre indo sob
em fazer colunas
tua toda língua nua
esticando a mundos, orbes, escuta-me
tua palavra linda, escuta-me, tua boca crua
dirá.


#P/ O AVARENTO NADA, TUDO#
então é aqui a avareza
é aqui onde tranco a ti
ao meu tanto
e a mim
me recuo a não derramar-nos do flanco
do quando retalhamo-nos do nada que fica do quando
estamos nós
a abrir feridas
a caber mais instantes de abrir espaço a fazer mundos
diante
do nada, diante do nada e a fundos.

QUATRO NÓS SONHAMOS E SONHADOS. UNS ASSANHADOS.)7(


de retesar-nos aos nós, manilha-minha.


com tanta doçura
a esfumada idéia
traz a faca entre os dentes
e um tantinho de ódio, amor
e passar a lamina pelo o fogo
e ser a de ouvir o apito do ferro lambendo a saliva posta a contra-gosto
meu ódio nutrido do amor, coração
e querer abraçar o corte já vencendo ao encontro de tanto ferro
e correr linhas abrasando trevos, doçura, ó, doçura sem fim, meu ódio imenso, intuitivo corte na idéia de trem noturno.


Segues a minha frente abrindo águas donde a areia vermelha suga-nos para uma Atlântida donde.
Donde, amor. Apenas donde, sonhamos donde.


esse sono separado do nosso
procurando-nos na noite dos outros
quando esses nem existem
rente ao manto de navegar-nos Santas
do quando não existem
navegantes indo ou vindo
lado, ouro, vidro
ou quando sim
fossemos nas marés da cal sonhada
desse sonho separado do outro
desse de quando buscássemos nós da pescaria de olhos desse sono agora próximo, tão rente que nosso, tão pleno que esse, tão esse que aquele, separado do nosso.





só o tempo só
rirá
a retesar, manilha-minha, da crista do sonho
onde ainda flutuarás, cabal-manilha,
a costurar-me licenças de barbantes 
a danar-me em risadas bruscas
pois que desnecessário será falar da tua voz humana quando o que haverá serão estalos de beijos enquanto falas, falas e falas sobre alguma coisa relacionada aos mudos sonhos, parece e realmente é o que parece, alta-manilha.

PRÉ-Nós medicinais)décimas quartas...(




não dê nome ao pecado distante
enrosca-te dos outros, inerentes
ou faça-te assim
chama-te gula preguiçosa
chama-te luxuria rompente
chama-te mesmo A Pecadora do Sim
que a travanca há de ser sempre o sobrenome
ou que somos todos o mesmo pecado e que cada pecado é um só, este: tua boca violentada a carmim.

QUATRO NÓS SONHAMOS E SONHADOS. HORREHORREHORRENTOS, DIGO, UNS DE HORROR.)6(




sonhar o mesmo sonho, porém de terríveis erros na continuidade ou com o áudio adiantando-se à imagem e a imagem gasta, toda rabiscada e sobreposta ao longa desperto.
um horror.


fiquei sentada, nunca mais os nós nos dedos, nunca mais os nós dos dedos indo pesar isso de que, estranhamente, qualquer coisa supersticiosa possa abater-me o coração desperto e justamente quando eu mais preciso que me pesem, o peso, indo a pele, indo um sol duro, mornos os vultos no ar. e voltar a acordar o corpo, apavorada entretanto e entretanto pesar-me extremamente os corvos pousados às janelas do sono e o sono dum nunca mais a me guiar, os nós nos dedos, os nós nesses nossos horrendos dedos de bruxas que somos.


proibiram-nos de levar propósitos aos patifes. vetaram-nos de soprar-lhes os rostos quentes. mas vamos aos nós e iremos sempre, nós a estar com nossos símbolos noturnos, ai, nossos símbolos, a nós tão dedicados, pequeníssimos, uníssonos, fronteiriços, imensos.


sonhar que o tropeço proposto aos pés, cai ao corpo e tomba da memória qualquer adeus tão recente quanto e como se fosse. eu te amo. é horrível e eu te amo e a nós nos rimos disso e tanto.