#P/ A REDENÇÃO LUXURIOSA AOS NÓS#
não dê nome ao pecado distante
enrosca-te dos outros, inerentes
ou faça-te assim
chama-te gula preguiçosa
chama-te luxuria rompente
chama-te mesmo A Pecadora do Sim
que a travanca há de ser sempre o sobrenome
ou que somos todos o mesmo pecado e que cada pecado é um
só, este: tua boca violentada a carmim.
#P/ CRER NA
EFICÁCIA DA PREGUIÇA#
creio na proeza do
amor preguiçoso
no melaço da morte à
dois
creio que por crer preguiçosamente
na eternidade do
momento
outro eterno se fará
inda levo-nos, ódio, amor, a crer no insistente do mundo largo
preguiçoso,
estupefato, adoçado a mole
mole-mole-mole
correndo a rio
pastoso
tal qual seja sempre
nosso largo,
estatelado orgulho em ter da preguiça uns montes, amor, amor, ai meu tanto
amor, que ódio, que preguiça, que paúra mais feliz, creio eu.
#P/ QUE A SOBERBA
SEJA EM NÓS#
não amansarei da ira
em tuas ausências
e encontrar qualquer
monstro brutal que não
como a brutalidade
do meu amor que bem
faria-nos escapar
das orelhas numas razões
de
animal sem animal
ao
todo que
bem, penso que no fim,
bem
ao fim, ao topo do fim
devo
grunhir feito mineral, enfeitando teu dedo mais habitual.
#P/ NÃO CORRER DO FENO#
dirá Belzebu, deus da Gula
dirá
sobre a dita letra
tua
inda outra, igualmente
tua
porém, bem mais
porém
não a mesma
cápsula do tempo
outra
desse palato de nós
tal comboio
esbaforido
sobre indo sob
em fazer colunas
tua toda língua nua
esticando a mundos,
orbes, escuta-me
tua palavra linda,
escuta-me, tua boca crua
dirá.
#P/ O AVARENTO
NADA, TUDO#
então é aqui a
avareza
é aqui onde tranco a
ti
ao meu tanto
e a mim
me recuo a não
derramar-nos do flanco
do quando
retalhamo-nos do nada que fica do quando
estamos nós
a abrir feridas
a caber mais
instantes de abrir espaço a fazer mundos
diante
do nada, diante do
nada e a fundos.