QUATRO NÓS SONHAMOS E SONHADOS. UNS, DO CONCRETO, ABSURDADOS.)8(




um sonho bom:
através do início da coisa-faca
mete-se ao lado de outra
entre os conteúdos da laminada memória: queijo.
inda inutilizando o trem da associação: queijo e o seguinte:
passe rapidamente de um furo para o outro
enalteça o digno exemplo do leite que se deixa quarar, abre-se a abrir mão do branco, deita-se no amarelo indefinido, arreganha-se ao mundo CimoDaMesa ao teu profundo ReptoDeSaída, teu rabo dito a cu.
vês? através do início da coisa-faca
meter-se ao lado de outra: entre.
daí os nós, minha filha, e a ponta dum tudo quanto é coisa-faca.


sonhas
o sangue dos poentes e nós
como bestas descrentes das estrelas que a noite finca à carne
a terra inteira, a vertigem à ela
então ajuíza-te dum lugar já iniciado das pernas
asfixia-te das escadas, depois sobre das águas nas letras bêbadas
e como é quente a noite dormida
ninja que és
num vazamento de sol
pela aresta deste ou daquele olho samurai
tão clara a goteira a repetir tua mais horrenda pupila:
em tudo o que há, a tudo o que és
inda voltas a ser a que sonha
és ainda
a que sonha
a que sangra meus poentes, sonhas, sondas.



e que orgulho sonhar os dedos que não alcançam
a boca cheia de marimbondos, cheia de dedos pra pedir socorro.


sonhamos nós
ao nosso próprio velório
já que estamos sempre a morrer
já que aos nós, uma da outra, brotamo-nos a renascer
moles
nós, acordados nós, velados a ser
travesseiro, coelhinhos, sono, velório dos olhos, cortejo dessas horas, tu sabes, dessas a orar e a reproduzir por nós e por esse sono de morrer de rir.